Hoje, Brasília completa 50 anos e nisso temos algo em comum -1960 é nosso ano-, e mais, chamo -me Marcia, porque minha mãe achava Juscelino um homem muito inteligente e tinha uma filha com este nome. Pois é, o que ela não sabia,é que Brasília seria nosso destino,afastando-a de seus pais, da nossa linda cidade e todo o resto da família, a partir daí, acho que mudou um pouco o que pensava sobre ele.
Assim, resolvi escrever esta histórinha sobre Brasília.
A única pretensão é brincar um pouco com as palavras, como sempre faço.
BRASILIA 50 ANOS
Marcia Mello
Catetinho nasceu em Brasília.
Um dia resolveu passear na Esplanada (dos ministérios), e encontrou muita coisa por lá:
Justiça, Educação, Saúde Integração Social e perguntou-se;
-Por que tem tanta gente aí dentro, quando tem muito mais aqui fora precisando?
Não obteve resposta.
Continuando seu passeio chegou ao “Com (in) gresso”, mas não pode entrar e perguntou novamente:
-Aqui não é a casa do povo?
Não obteve resposta outra vez.
Partiu para a Torre de TV, de lá avistou a Ermida que é de D. Bosco. Achou que ela era muito pequena para abrigar alguém tão importante, levando em consideração inclusive, as mansões que têm ao redor.
Viu também uma estátua enorme sentada, descansando mesmo, na Praça dos Três Poderes e descobriu que seu nome era justiça. Daí entendeu porque ela passava os dias sentada vendo o tempo passar com olhos vendados, o que dificulta muito.
Continuando, viu o meteoro e descobriu que ali era o Museu da República e disse;
- Como é grande!!!! Tem muito espaço!!!! É vazio!!!
Ah! É um meteoro ! Vai ver caiu aqui de paraquedas!!!
Catetinho não era muito entendido das coisas, mas era esforçado. Tem que dá um desconto.
Passou pelo Buriti e teve uma crise de risos, ninguém entendeu nada. Mais adiante viu o Museu do Índio, mas não quis entrar, porque sabia que desde a sua construção ele era assombrado. Ficou com medo.
Na Granja não quis ir, porque só sabia andar em linhas retas, nos traços de Brasília, e como a granja é torta, ficou com medo de passar mal.
Descobriu um lugar na cidade que fala da Boa Vontade, foi até lá. Caminhou descalço, recebeu a energia do cristal, ficou absorto diante de tanto mármore e saiu de lá como entrou, sem resposta da boa vontade de quem, prá quem.
Mas soube que ao lado, estava o Campo da Esperança e estabelecendo uma analogia macabra, conclui que fosse boa vontade para morrer e saiu de lá correndo. Aff!!!!!
Como tudo envolve JK ele fez uma Ponte (JK) e caiu no Memorial (JK). Lá descobriu como tudo começou:
O mensalão prá trazer o povo do Rio prá cá, o troca/troca, a dívida do país, mas também, o salto para a glória do genial Niemeyer, Lúcio Costa , Burle Marx...diante de tantas descobertas, foi à Catedral agradecer e pedir que a cidade de 50 anos, administre suas dificuldades, para que aqueles que aqui moram possam , por um pouco mais de tempo, continuar dizendo que é uma cidade tranqüila para se viver (apesar de 2 milhões de habitantes, 1 milhão de carros, cracolãndia, violência, falta de ética, políticos corruptos etc..).
Ah! Catetinho depois do passeio, voltou prá sua casa.
Ele mora na Estrutural, que foi invadida e fixada em cima de um lixão.
Ainda bem que Brasília não tem morro!
